Bitcoin virou assunto de butequim, e um dos temas mais discutidos acerca da moeda é: tem bolha ou não tem bolha? O preço já subiu horrores, mas o banco de investimento dinamarquês Saxo Bank prevê que o preço do bitcoin vai chegar a US$ 60.000 em 2018 antes de cair mais de 98% para seu ”custo de produção” que é estimado em US$ 1.000″.

bolha bitcoin

Segundo o Saxo Bank, o aumento do Bitcoin e outras criptomoedas tem sido um dos fenômenos mais espetaculares dos mercados financeiros nos últimos anos, mas o bitcoin continuará a subir durante a maior parte de 2018, mas a Rússia e a China juntos criarão um crash no mercado.

O banco prevê que, impulsionado pela angústia prolongada sobre o advento dos derivativos de bitcoin, o preço do bitcoin aumentará aproximadamente 400% do seu nível atual para um pico acima de US$ 60.000 – levando seu valor de mercado para US$ 1 trilhão. No entanto, adverte o Saxo, a ascensão meteórica do bitcoin será igualada pela taxa de queda. Preocupado com a fuga de capitais, a China e a Rússia irão desencadear um ataque múltiplo no ecossistema das criptomoedas descentralizadas para “deslocar o foco para longe do Bitcoin. Além de criar suas próprias criptomoedas, os dois governos vão proibir a mineração, citando preocupações ambientais, mesmo que sua verdadeira prioridade seja manter um controle sobre a política monetária doméstica.

Parece uma previsão catastrófica, primeiro uma histeria e depois um grande crash. Mas será que realmente estamos presenciando uma bolha ou o início dela? Kiko Coelho, em recente artigo publicado no site Medium, afirma que não é uma bolha. O autor explica que a definição clássica de uma bolha especulativa reside na definição de “quando os negócios econômicos estão acontecendo em um preço de ativos que se desviam fortemente do valor intrínseco do ativo”. Em outras palavras, temos uma bolha quando qualquer coisa que tenha algum valor econômico (de mercado) seja negociada muito além do seu valor perceptivo fundamental (uso).

Daí surge a questão principal da tese de Coelho: Qual é o valor intrínseco de hoje do bitcoin? Para o autor, o valor intrínseco do bitcoin está relacionado ao fato de ser atualmente o melhor ativo financeiro para armazenar valor sem interferência dos governos. Em um mundo em que o anonimato e a proteção do abuso dos governos estão se tornando cada vez mais escassos, as pessoas (e as empresas) estão começando a entender e perceber essas vantagens e como elas podem se beneficiar disso.

Hoje, o bitcoin dá a alguém que o detenha, uma melhor proteção do patrimônio do que algumas estruturas legais offshore (uma vez que as leis podem ser modificadas ou mesmo mudar) aproveitando esses benefícios para pessoas comuns em uma fração do custo das estruturas tradicionais offshore. É preciso dizer que hoje não temos controle algum sobre nosso dinheiro e estamos à mercê das arbitrariedades dos governos e de um sistema bancário cúmplice e conivente. Vemos também o poder na mão dos bancos centrais, cuja conduta segue critérios escusos com decisões autoritárias. O que, nos dias de hoje é uma grande ironia, pois exigem cada vez mais informações da sociedade, invadindo a privacidade financeira dos cidadãos a todo momento.

Diferentes de serem ativos exclusivamente especulativos como ações, títulos ou até tulipas, o bitcoin tem um valor intrínseco real para qualquer pessoa que esteja buscando um bem financeiro com proteção contra intervenções governamentais em um formato fácil de armazenar e transportar por causa do formato digital. O comprador está então percebendo o bitcoin como um instrumento financeiro melhor do que outros ativos ou moedas disponíveis hoje e sendo ainda mais importante no futuro próximo.

Pode-se então dizer que o valor do bitcoin são está na proteção que o mesmo proporciona em um sistema financeiro instável e com elevado nível de intervenção estatal conjugado com uma crescente perda de privacidade financeira. Fato este que não é novidade, já que a intervenção dos governos no âmbito monetário das nações é milenar, assim como a cumplicidade do sistema bancário.

O dilema das criptomoedas sempre foi “ninguém está usando, então não há valor”. No momento, no final de 2017, temos cerca de 20 milhões de pessoas com carteiras de criptomoedas . Em 2018, pode haver mais clientes individuais do que qualquer banco maior do planeta. Em breve, muitas empresas começarão a oferecer pagamentos com moedas digitais. As empresas Fortune 500 possuem uma estrutura offshore de US $ 2,5 trilhões (por razões legais e fiscais) e podem começar a receber pagamentos em criptos, reduzindo seu risco em batalhas legais com os governos em relação às estratégias de redução de impostos. Não esqueçamos os 2 bilhões de pessoas em todo o mundo que não são “bancarizadas” e podem encontrar nas criptos suas soluções financeiras.



Uma possível causa de bolhas especulativas é a liquidez monetária excessiva no sistema, o que dá aos mercados um preço volátil dos ativos causado por especulações alavancadas que trazem ainda mais movimentos especulativos. Muito diferente de outras bolhas especulativas que aconteceram no passado, quase não há probabilidade de negociações deste tipo neste momento (derivados de futuros do bitcoin serão lançados em breve, mas hoje não são uma realidade) e cada bitcoin comprado deve ser mantido em uma carteira digital que mantém as chaves privadas do usuário. No que diz respeito apenas a alguns loucos que estão criando dívidas pessoais para comprar bitcoin, não há alavancagem expressiva no sistema de criptomoedas.

Mas o autor alerta que a falta de entrega do uso no mundo real ampliará a diferença do valor “real” em relação ao valor de mercado e se o preço continuar a crescer com base na especulação à medida que os aumentos de preços trarão mais usuários mais especulativos, certamente pode-se criar uma bolha que certamente colapsará no futuro.

Outro fator que assombra o mercado de critomoedas sãos os próprios governos e seus banco centrais. Fernando Ulrich, no seu livro Bitcoin – A Moeda na Era Digital, escreve que as criptomoedas representam uma tecnologia inovadora e com potencial de trazer inúmeros benefícios à sociedade, mas ainda há importantes barreiras a serem ultrapassadas. Especialmente no âmbito legal e regulatório, ainda há enormes incertezas quanto à ação dos governos diante do crescimento deste mercado. Logo as autoridades terão de se pronunciar, pois a ampliação do uso das criptomoedas obrigará os governos a esclarecerem de que forma as transações serão tributadas. Contudo, não devemos esperar aplausos de algum órgão regulador, nem apoio do setor público em relação às moedas digitais. Além disso, no momento em que as criptomoedas forem percebida como um concorrente genuíno à moeda estatal e ao sistema bancário, o tratamento legal dado a ele poderá ser bastante negativo.



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